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outubro 24, 2013

Uma história qualquer

Em um fim de tarde amarelado e rosáceo, dois seres estavam deitados sobre a grama. Eles riam muito e conversavam sobre tudo. Ela era falante, bonita e ficava sem jeito ao olhar fixamente aos olhos dele. Ele era quieto, calmo e tímido, se sentia intimidado ao ver seu rosto refletido no olhar sincero e alegre da garota. Pela primeira vez em anos os dois conseguiram um momento único: estarem juntos de um jeitinho diferente. Apenas eles e o céu. O que ela sempre sonhara, mas ele sempre recusou. As palavras eram muitas, eles discorriam sobre coisas extremamente desinteressantes não só pra eles, mas pra todo o resto do mundo, estavam com receio de falar o que realmente queriam. A garota, tomada por desejo, olhava fixamente para o céu esperando um dia, que ele agisse. Ela sabia que isso não aconteceria. "É o jeito dele" pensava. E era esse tal jeito que a tornava intensamente apaixonada. 
- Por que é tão difícil falar a verdade quando você está aqui? - questionou-o, desviando o olhar das estrelas que brilhavam ainda fracas no céu para aqueles pequenos olhos castanhos radiantes.
Rapidamente ele voltou seu olhar para as nuvens, não queria encara-la, era difícil pra ele responder essa pergunta, quando na verdade nem ele sabia, ou entendia plenamente a verdade. Ficou mudo por um tempo e depois disse: -Nunca falo a verdade, seja onde for - era uma de suas piadas, usou de artificio para fugir da pergunta e torceu em silencio para que ela não insistisse.
Ela sorriu pois já esperava pela resposta sem sinceridade jogada no ar. Sem conclusões. Sem coragem. E após um som de voo de ave, ela se pronunciou: - Então, quando você diz que é lindo não diz a verdade? - voltou seus olhos para o céu, acompanhando o parceiro e rindo ao lembrar o quanto ele insiste em dizer que é lindo. Não mentia. Ele era realmente lindo.
Ele riu, e rapidamente respondeu: - Toda regra tem sua exceção. Parou por um segundo, e voltando ao tom sério explicou a ela que não mentia realmente, só dizia isso para não ter que expor tudo o que achava ou sentia, e acabar se tornando vulnerável demais; detestava se sentir fraco e impotente diante de algo ou alguém. Ela fazia com que ele se sentisse assim.
-Você fica tão diferente quando fala sério. Gosto de ver você sorrindo. - observou e ficou ainda mais confusa. O que tinha por trás desses olhos misteriosos? Dessa fala séria? Dessa incógnita? Ele despertava nela todas as dúvidas possíveis quando duas pessoas se relacionam. - Então, você detesta se sentir fraco... Hum, fraquezas.. Você se sente fraco comigo? Sou demais, eu sei - indagou rindo. Desencostou suas costas da grama virando seu corpo para o garoto, seu queixo se apoiou em uma das mãos como se quisesse mostrar mais interesse pelo assunto.

Escrito por nós - sem término.